{"id":5558,"date":"2026-08-08T16:36:56","date_gmt":"2026-08-08T16:36:56","guid":{"rendered":"https:\/\/mondaecus.pt\/staging2\/?p=5558"},"modified":"2026-08-08T16:36:59","modified_gmt":"2026-08-08T16:36:59","slug":"adenomiose-quando-o-utero-doi-por-dentro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mondaecus.pt\/staging2\/adenomiose-quando-o-utero-doi-por-dentro\/","title":{"rendered":"Adenomiose: quando o \u00fatero d\u00f3i por dentro"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 a adenomiose?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na adenomiose, as gl\u00e2ndulas e o estroma do endom\u00e9trio \u2014 o revestimento interno do \u00fatero \u2014 infiltram-se no miom\u00e9trio, a camada muscular da parede uterina. Ao contr\u00e1rio da endometriose, em que o tecido cresce fora do \u00fatero, na adenomiose o problema est\u00e1 dentro da pr\u00f3pria parede uterina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este tecido infiltrado responde \u00e0s varia\u00e7\u00f5es hormonais do ciclo menstrual: prolifera, inflama e sangra dentro do m\u00fasculo, provocando inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica, espessamento e aumento global do volume uterino \u2014 o chamado \"\u00fatero globoso\".<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A adenomiose pode ser difusa, quando afeta extensamente o miom\u00e9trio, ou focal, quando forma um n\u00f3dulo delimitado (adenomioma). Afeta sobretudo mulheres entre os 35 e os 50 anos, embora possa surgir mais cedo, e coexiste frequentemente com endometriose ou miomas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sintomas mais comuns<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Menstrua\u00e7\u00f5es muito abundantes (menorragia), frequentemente com co\u00e1gulos<\/li>\n\n\n\n<li>C\u00f3licas menstruais intensas e progressivamente piores ao longo dos anos<\/li>\n\n\n\n<li>Dor p\u00e9lvica cr\u00f3nica, tamb\u00e9m fora do per\u00edodo menstrual<\/li>\n\n\n\n<li>Sensa\u00e7\u00e3o de peso, press\u00e3o ou enfartamento p\u00e9lvico<\/li>\n\n\n\n<li>Dor durante ou ap\u00f3s as rela\u00e7\u00f5es sexuais (dispareunia)<\/li>\n\n\n\n<li>Anemia por perda hem\u00e1tica mantida \u2014 com cansa\u00e7o, palidez e falta de ar<\/li>\n\n\n\n<li>Aumento do volume abdominal por \u00fatero aumentado<\/li>\n\n\n\n<li>Dificuldade em engravidar ou abortamentos de repeti\u00e7\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u26a0\ufe0f<strong>&nbsp; Menstrua\u00e7\u00f5es incapacitantes n\u00e3o s\u00e3o normais. A dor menstrual que obriga a faltar ao trabalho ou \u00e0 escola, ou que n\u00e3o cede a analg\u00e9sicos comuns, deve ser sempre avaliada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Adenomiose ou endometriose? Qual a diferen\u00e7a<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><br><\/td><td><strong>Adenomiose<\/strong><\/td><td><strong>Endometriose<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>Localiza\u00e7\u00e3o<\/td><td>Dentro da parede uterina<\/td><td>Fora do \u00fatero<\/td><\/tr><tr><td>\u00datero<\/td><td>Aumentado e globoso<\/td><td>Habitualmente normal<\/td><\/tr><tr><td>Sintoma dominante<\/td><td>Hemorragia abundante<\/td><td>Dor p\u00e9lvica<\/td><\/tr><tr><td>Diagn\u00f3stico<\/td><td>Ecografia \/ RM<\/td><td>Ecografia \/ laparoscopia<\/td><\/tr><tr><td>Idade t\u00edpica<\/td><td>35\u201350 anos<\/td><td>20\u201340 anos<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As duas condi\u00e7\u00f5es coexistem com frequ\u00eancia na mesma mulher, o que pode dificultar o diagn\u00f3stico e explica por que raz\u00e3o os sintomas se sobrep\u00f5em.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Porque demora tanto a ser diagnosticada?<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Os sintomas s\u00e3o frequentemente normalizados \u2014 \"\u00e9 normal ter dores e perder muito sangue\"<\/li>\n\n\n\n<li>Sobreposi\u00e7\u00e3o de sintomas com miomas, endometriose e outras causas de hemorragia uterina<\/li>\n\n\n\n<li>Durante muitos anos, o diagn\u00f3stico definitivo s\u00f3 era poss\u00edvel ap\u00f3s histerectomia<\/li>\n\n\n\n<li>A dete\u00e7\u00e3o ecogr\u00e1fica exige equipamento adequado e experi\u00eancia do operador<\/li>\n\n\n\n<li>Aus\u00eancia de an\u00e1lises ou marcadores espec\u00edficos para a doen\u00e7a<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Como se diagnostica?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ecografia p\u00e9lvica transvaginal:<\/strong> Exame de primeira linha. Permite identificar sinais caracter\u00edsticos \u2014 miom\u00e9trio heterog\u00e9neo, espessamento assim\u00e9trico das paredes, quistos miometriais, estrias radiadas e espessamento da zona juncional. A qualidade do equipamento e a experi\u00eancia do operador s\u00e3o determinantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Resson\u00e2ncia magn\u00e9tica p\u00e9lvica: <\/strong>Oferece maior precis\u00e3o, sobretudo na adenomiose focal, no planeamento cir\u00fargico e na distin\u00e7\u00e3o entre adenomioma e mioma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Avalia\u00e7\u00e3o anal\u00edtica: <\/strong>Hemograma para quantificar a anemia e estudo do ferro, frequentemente necess\u00e1rios pela perda hem\u00e1tica mantida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diagn\u00f3stico definitivo \u00e9 histol\u00f3gico, mas na pr\u00e1tica cl\u00ednica atual estabelece-se com base na combina\u00e7\u00e3o de sintomas e achados imagiol\u00f3gicos \u2014 sem necessidade de cirurgia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Que tratamentos existem?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tratamento \u00e9 individualizado e depende da intensidade dos sintomas, da idade e do desejo de gravidez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema intrauterino com levonorgestrel (DIU hormonal): <\/strong>Frequentemente a primeira linha. Reduz significativamente a hemorragia e a dor, com efeito local e boa toler\u00e2ncia a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Contracetivos hormonais: <\/strong>P\u00edlula combinada, progestativos isolados, anel ou implante \u2014 controlam o ciclo e reduzem a intensidade dos sintomas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Anti-inflamat\u00f3rios n\u00e3o esteroides (AINE):<\/strong> Para controlo sintom\u00e1tico da dor, sobretudo nos dias de maior intensidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Agonistas da GnRH: <\/strong>Induzem menopausa tempor\u00e1ria, reduzindo o volume uterino. Utilizados por per\u00edodos limitados, frequentemente antes de cirurgia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Corre\u00e7\u00e3o da anemia: <\/strong>Suplementa\u00e7\u00e3o de ferro, essencial em muitas doentes e frequentemente esquecida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Adenomiomectomia: <\/strong>Remo\u00e7\u00e3o cir\u00fargica da les\u00e3o em casos focais, quando se pretende preservar a fertilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Histerectomia: <\/strong>Tratamento definitivo e curativo, reservado para casos refrat\u00e1rios em mulheres sem desejo de gravidez futura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Adenomiose e fertilidade<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A adenomiose pode dificultar a conce\u00e7\u00e3o e associa-se a maior risco de abortamento e de complica\u00e7\u00f5es obst\u00e9tricas. A infiltra\u00e7\u00e3o do miom\u00e9trio altera a contratilidade uterina e o ambiente onde o embri\u00e3o se implanta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, muitas mulheres com adenomiose engravidam sem dificuldade. Quando existe desejo de gravidez, o plano terap\u00eautico deve ser definido tendo isso em conta desde o in\u00edcio \u2014 evitando tratamentos que comprometam a fertilidade e articulando, se necess\u00e1rio, com medicina da reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">E depois da menopausa?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A adenomiose \u00e9 uma doen\u00e7a dependente de estrog\u00e9nios, pelo que tende a regredir espontaneamente ap\u00f3s a menopausa, com melhoria ou desaparecimento dos sintomas. Em mulheres pr\u00f3ximas dessa fase, esta \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o relevante na decis\u00e3o terap\u00eautica \u2014 muitas vezes justifica optar por um tratamento conservador em vez de cirurgia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Avalia\u00e7\u00e3o na Mond\u00e6cus Cl\u00ednica M\u00e9dica<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Mond\u00e6cus Cl\u00ednica M\u00e9dica, em Montemor-o-Velho, a consulta de Ginecologia permite investigar sintomas sugestivos de adenomiose, com ecografia ginecol\u00f3gica e transvaginal realizada no local com ec\u00f3grafo de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o \u2014 determinante para a dete\u00e7\u00e3o dos sinais caracter\u00edsticos desta doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir do diagn\u00f3stico \u00e9 definido um plano terap\u00eautico individualizado, tendo em conta a intensidade dos sintomas, a idade e os projetos de vida de cada mulher.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 a adenomiose? 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